domingo, 2 de setembro de 2012

O seguimento de Jesus e a liberdade


“Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc 7, 6 – 8).

            O texto evangélico deste XXII Domingo Comum (cf. Mc 7, 1-8.14-15.21-23) traz o confronto de Jesus com os fariseus e alguns mestres da leis, seus opositores declarados, a respeito da incompatibilidade dentre a vivência do mandamento de Deus, o amor, e o apego à tradição dos homens. Para entender o que Jesus quis dizer, é preciso considerar algumas afirmações.

            A partir da revelação divina na história humana, o ser humano criou a religião. Esta não é criação divina, mas humana. Em toda religião há a manifestação e a comunhão com o sagrado, que é considerado e nomeado de diversos modos. Todas as religiões possuem crenças, preceitos e ritos. Estes contêm suas normas e regras: tudo criação humana. Cada religião nasceu num contexto histórico, a partir de mulheres e homens limitados. E Deus, mistério indizível e insondável, não fica preso a nenhuma religião e socorre os que o buscam de coração sincero e humilde.

            Não há religião verdadeira, nem falsa; há mulheres e homens que procuram a Deus nas religiões. Toda procura de Deus é legítima, desde que seja livre e sincera. A procura de Deus anda bem conturbada, isto acontece porque o ser humano é um ser de angústias e conflitos. A procura em si é angustiante, seu valor é incomensurável. Não há um caminho certo em detrimento de outros, que possam ser considerados errados; há o mundo criado por Deus e nele, em toda parte, o ser humano pode encontrar-se com seu Criador e Pai.

            No Cristianismo, os cristãos criaram e criam as Igrejas e brigam entre si, cada um reivindicando Jesus como o fundador de sua denominação religiosa. Considerando Jesus e sua mensagem, podemos afirmar sem medo de equívoco algum: não passava na cabeça de Jesus a criação nem de religião nem de denominação religiosa alguma. Ele não foi enviado para isto. Portanto, é sinal de pura ignorância perder tempo defendendo que Jesus fundou religião ou a Igreja.

            Considerando estas afirmações, vamos ao texto evangélico. Diante dos fariseus e mestres da lei, Jesus é questionado: Por que teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos? Se pensarmos bem esta pergunta, veremos que diante do mandamento de Deus ela questiona algo que não tem importância alguma. Deus estaria preocupado com o lavar as mãos antes de comer, com a maneira de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre, e outras tradições meramente humanas e supérfluas?...

            Recordando a profecia de Isaías, Jesus chama a atenção para o essencial, e entre outras palavras, afirma: Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens. Segundo Jesus, os fariseus e mestres da lei abandonaram o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens. Isto é muito grave. De fato, era o que acontecia, pois viver segundo a tradição dos homens assegurava-lhes uma vida tranquila. As tradições eram pesados fardos que eles colocavam nas costas dos pobres, que não tinham as mínimas condições de observá-las. Por isso, a maioria dos pobres é considerada impura.

            Jesus não vivia preocupado com a observância das tradições dos homens, nem pautava sua vida a partir delas. O que lhe interessava era o cumprimento da vontade do Pai. Cumprir a vontade do Pai: eis o essencial de sua vida. Isto significa que ele procurou em tudo permanecer unido ao Pai realizando, assim, a sua missão. Ele ensinou a seus discípulos a fazerem o mesmo: viverem atentos ao essencial, que consiste no anúncio da Boa Notícia aos pobres.

            Com o surgimento das comunidades cristãs e, consequentemente, da Igreja, os cristãos criaram o culto. Eis o que disse o profeta Isaías, a quem Jesus fez questão de recordar: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Honrar com os lábios e manter o coração longe de Deus, ensinar a observância de preceitos humanos ao invés de anunciar a Palavra encarnada de Deus: eis os graves pecados que podem ser cometidos pelos que cultuam a Deus.

            Atualmente, é perceptível na vida da Igreja uma excessiva preocupação pelo culto. Busca-se uma liturgia cada vez mais perfeita, porém desencarnada da vida do povo. A preocupação com as rubricas, que assegura o cumprimento fiel das regras estabelecidas, assegura um culto esteticamente plausível, porém mecanicista. Os ministros estão mais preocupados com as rubricas do que com o que estão rezando!

Multiplicam-se as casulas, as batinas, as sobrepelizes; enfim, sofisticam-se os paramentos litúrgicos. Tudo serve mais para desconcentrar as pessoas, que ficam admirando tais vestes, do que para conferir beleza e sentido à liturgia. Além do rubricismo litúrgico, há outras questões nas quais a Igreja termina perdendo muito tempo, em detrimento de sua missão fundamental, que consiste no anúncio do Evangelho de Jesus.

 São inúmeros os preceitos humanos e tradições existentes que sufocam o surgimento do novo na vida da Igreja. No interior desta, há uma luta constante entre o apego à tradição dos homens e a prática do mandamento de Deus. Os que procuram viver o mandamento de Deus são aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito do Senhor, enquanto os que se apegam à tradição dos homens procuram nela a sua segurança.

Só se vive o mandamento de Deus na liberdade. Somente quem é livre pode praticar a religião pura e sem mancha de que fala o apóstolo Tiago: Com efeito, a religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo (Tg 1, 27). Os órfãos e as viúvas no povo de Israel eram os mais indefesos. Com isto, o apóstolo está falando do mandamento de Deus, que consiste na solidariedade para com os mais pobres. O anúncio do Evangelho de Cristo implica a opção pelos pobres: eis a missão fundamental da Igreja neste mundo, missão que só acontece na liberdade.

Tiago de França

2 comentários:

Anônimo disse...

Agora deu para saber a intenção do coracao das pessoas?
Dizer que quem usa batina ou casula esta apegado ao rito, e nao tem boas intencoes?
Ha muitos padres que usam isso e sao BONS PASTORES. Ha muitos que usam e sao PESSIMOS pastores.
Ha muitos padres que com uma tunica ou estola sao BONS PASTORES e muitos outros nao o sao.
Assim que os "homens ve as aparencias e Deus ve o coracção" A Escritura foi certera nisso;

Felipe Junior melo disse...

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