sábado, 11 de junho de 2016

Amar para perdoar e ser perdoado

“Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor” (Lc 7, 47).

Conta o evangelho segundo Lucas (cf. Lc 7, 36 – 8,3), que Jesus foi convidado por um fariseu para uma refeição em sua casa. Sabendo que Jesus lá estava, uma mulher “conhecida na cidade como pecadora”, foi ao seu encontro. Ela trouxe perfume e, enquanto Jesus conversava com o fariseu, ela banhava seus pés com lágrimas, beijando-os e enxugando-os com os cabelos. Jesus classificou esta atitude como uma demonstração de amor, muito amor.

Mas o fariseu que o havia convidado pensava diferente: pensava consigo mesmo: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”. Vendo que o fariseu julgava a mulher por causa de seu gesto amoroso, Jesus resolveu agir, perdoando os pecados da mulher, após ter elogiado o seu gesto amoroso. Segundo Jesus, a razão para o perdão foi ela ter demonstrado muito amor. Acrescentou, ainda, que a fé da mulher a salvou. Assim, ela recuperou a paz que tanto procurava.

Qual o ensinamento que podemos extrair do gesto amoroso da mulher? Ela nos ensina que o amor é o caminho para o perdão. Para ser perdoada, a pessoa precisa demonstrar muito amor. Ela não teve medo de se aproximar de Jesus, de manifestar-lhe o seu amor. O amor demonstrado por ela constitui o centro da mensagem evangélica. E Jesus faz questão de chamar a atenção para o amor, pois é este que deve ser o centro da vida cristã. O que temos demonstrado em nossas relações interpessoais? O que temos procurado?... Demonstramos amor, ou tratamos o outro com indiferença?...

Qual o ensinamento que podemos extrair da atitude de Jesus diante do gesto amoroso da mulher pecadora? Ele nos ensina a sermos misericordiosos. Ser misericordioso significa ser acolhedor, compreensivo, aberto, sensível, transparente, generoso e humilde. Quem não está disposto a acolher o outro jamais conseguirá ser misericordioso, pois não existe misericórdia fora da acolhida. Quem não se esforça em compreender a realidade do outro também não consegue manifestar misericórdia. O mesmo podemos dizer da sensibilidade, da generosidade e da humildade. Pessoas insensíveis, falsas, mesquinhas e arrogantes somente podem ser indiferentes, afastando-se da misericórdia.

Na Igreja Católica, desde o dia 08 de dezembro de 2015, estamos no Ano da Misericórdia, que se encerrará no dia 20 de novembro deste ano. Na exortação catequética do dia 09 de dezembro de 2015, um dia após a abertura do Jubileu da Misericórdia, eis o que disse o Papa Francisco: “Dirigir o olhar a Deus, Pai misericordioso, e aos irmãos necessitados de misericórdia, significa concentrar a atenção sobre o conteúdo essencial do Evangelho: Jesus, a Misericórdia feita carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus. Celebrar um Jubileu da Misericórdia equivale a colocar de novo no centro da nossa vida pessoal e das nossas comunidades o específico da fé cristã, isso é, Jesus Cristo, o Deus misericordioso”.

Muito oportuna a expressão “...concentrar a atenção sobre o conteúdo essencial do Evangelho: Jesus, a Misericórdia feita carne”. Isto significa que toda pessoa que deseja seguir Jesus deve ser como ele: encarnar a misericórdia de Deus, manifestando-a através de uma vida profundamente marcada pelos valores do Evangelho. Os cristãos em suas comunidades precisam manifestar esta misericórdia em suas palavras e ações, afetiva e efetivamente. É necessário que se peça sempre a graça de Deus para nos libertamos dos excessos dos discursos e da tentação de vivermos segundo as aparências. Somente Deus, com seu infinito amor, torna-nos capazes do amor.

O Espírito de Deus, quando encontra acolhida em nós, fecunda o nosso ser, transformando-nos interiormente, e afastando-nos da tentação da indiferença. Em um mundo marcado pela mentira e pelas inúmeras formas de violência, todo aquele que acredita em Jesus precisa colocá-lo no centro da vida, pois somente assim podemos, de fato, ser testemunhas da misericórdia de Deus, mulheres e homens acolhedores, cheios de amor, livres do ódio e de tudo aquilo que nos afasta de Deus e do próximo. Que este mesmo Espírito nos liberte de nossa frieza e covardia, encorajando-nos para vivermos amorosamente.


Tiago de França

2 comentários:

Maria Elisete disse...

Tiago, belo ensinamento!

Tiago de França disse...

Obrigado, Maria Elisete!
Abraços!