segunda-feira, 15 de outubro de 2018

DIA DO PROFESSOR


Sou professor e advogado, e neste dia quero falar da importância da profissão que é mestra de todas as outras. O futuro passa pelo professor. Tive professor de todo tipo: desde os cultos e empenhados até os incultos e preguiçosos. Mas todos eles me ensinaram a ser professor e a ser gente. Minha mãe, professora aposentada, me ensinou a ler, escrever, contar, enxergar e ser gente. Ela é a primeira homenageada.

Os professores que lecionam na educação básica (ensino fundamental e médio) são os que mais sofrem, principalmente os da escola pública. Falta valorização do professor, condições dignas de trabalho, respeito e teto salarial digno. Ultimamente, nossa classe anda aparecendo nos jornais, porque alunos e pais nos espancam. Também prefeitos e governadores mandam a polícia nos espancar. Esta é a nossa situação.

O professor é um ser humano que tem formação e ideologia. Somos formados em diversas áreas do saber e temos nossas tendências ideológicas. Apesar da pluralidade ideológica, todos somos unânimes em vários pontos, dentre eles o fato de que não podemos regredir, mas repensar a educação para que o País mude para melhor. Todo professor é alguém que acredita no ser humano e na possibilidade de um futuro melhor. Não somos tolos, mas esperançosos. A gente critica e contribui para o futuro.

Estamos em ano eleitoral, e o dia 28 do corrente mês será decisivo para nós. Como professor de Filosofia, não me canso de levantar questionamentos e provocações sobre a realidade. Filosofia é isso: apreço pela pergunta, busca incessante pela verdade. Por isso, nesta homenagem, quero compartilhar com você, leitor, algumas perguntas. Vejamos. Não irei respondê-las, mas peço, gentilmente, que você pense sobre elas. Todo mundo que tem cérebro é capaz disso. Pensar costuma fazer bem.

Você sabia que o projeto "Escola sem partido" tem como objetivo controlar o professor em sala de aula, tirando-lhe a liberdade de lecionar? Você sabia que este projeto tem partido, que é a doutrinação ideológica conservadora? Você sabia que o ensino à distância para a educação básica não tem como funcionar? Ou você acha que as crianças podem ficar em casa, vendo vídeo-aula e somente ir à escola fazer provas? E a socialização dessas crianças, como fica? E as crianças muito pobres, que dependem, muitas vezes, da merenda escolar para sobreviver, como ficarão?

E os professores, serão demitidos? O que eles vão fazer da vida? Para que servirão nossas escolas? Você sabia que a educação precisa de investimento pesado, porque é a única saída para o País se libertar da ignorância e trilhar o caminho do desenvolvimento integral? Você sabia que foi pensado um projeto chamado "Brasil sem homofobia", no âmbito do Poder Legislativo, para combater a homofobia nos vários âmbitos da sociedade, especialmente nas escolas? Você sabia que este projeto não é o "kit gay" mencionado, com insistência, pelos homofóbicos? Você sabia que este "kit gay" (expressão concebida pelos homofóbicos) não foi produzido nem distribuído nas escolas?

Você sabia que nós, professores, não praticamos doutrinação ideológica, mas lecionamos nossas disciplinas, seguindo um cronograma devidamente aprovado e sob a orientação do projeto político-pedagógico de cada escola? Você já procurou saber desta tal de doutrinação ideológica na escola onde seus filhos estudam? Ou você é daquele pai ou mãe que acredita em falsas notícias sem conferir a realidade escolar? Você participa e tem interesse em participar da vida escolar de seus filhos? Qual a sua contribuição na construção do projeto político-pedagógico da escola de seus filhos? Você sabe ou já ouviu falar desse projeto?

Você sabia que nós, professores, não damos aula de sexo nas escolas? O seu filho já chegou em casa, reclamando de que algum professor estava dando aula de sexo, seja praticando sexo em sala de aula, ou passando vídeo pornográfico para os alunos? Ou você acha que as aulas de biologia, que falam da reprodução de todas as espécies sexuadas constituem aulas sobre sexo? Se você nunca ouviu falar, por que você acredita na acusação de que nós, professores, ensinamos sexo aos alunos nas escolas? Crer nisso é conduta séria e de boa-fé? Quem espalha esse tipo de mentira para ganhar eleição, age de boa-fé?

Caro leitor, eu teria outras dezenas de perguntas a fazer, mas estas são suficientes para o momento. Ainda há outra indagação fundamental: Que tipo de escola você quer para seus filhos e demais crianças do Brasil? Você já parou para analisar, sem paixões e com muita calma, as propostas dos candidatos a presidente da República, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro? Nas perguntas acima você encontra pistas de reflexão. Tente respondê-las. Eleição é coisa séria. O eleito permanecerá, no mínimo, quatro anos no poder. Qual dos dois candidatos fala em INVESTIR DINHEIRO na educação? Nós precisamos de dinheiro na educação, sabia? Qual candidato fala daquilo que é a realidade da educação? E as propostas de ambos, quais delas condizem com a realidade educacional brasileira e, de fato, podem ser implementadas?

Finalizo esta mensagem, expressando, sem medo de ser feliz de novo, a minha preferência política. Sou cidadão e também sou eleitor. É um direito que me cabe. Assim como também é direito seu, caro leitor, discordar e fazer outra opção. Mas antes de você fazer, leia com atenção os argumentos até aqui apresentados. A gente tem que considerar a argumentação, porque a verdade parte de análises. Argumento válido é argumento que tem sentido e lógica, que racionalmente pode ser verificado no mundo real. Os apaixonados de plantão não possuem argumentação, mas, como papagaios, repetem falsas soluções para problemas complexos. E a educação no Brasil é, hoje e sem dúvida alguma, uma realidade complexa que pede socorro.

Irei votar no Professor Fernando Haddad, primeiro porque ele é professor da USP, bacharel em direito, mestre em economia e doutor em filosofia. Portanto, tem gabarito. Como professor, não posso votar em gente despreparada. O Brasil está numa situação muito difícil para colocarmos a direção deste país gigante nas mãos de quem não sabe sequer o básico da educação e de outros assuntos. O adversário do Prof. Haddad não sabe sequer o que é e como se organiza a educação básica no Brasil.

Meu voto no Prof. Haddad também se justifica pelo fato de ele ter sido Ministro da Educação na era Lula, época marcada por grandes investimentos na educação. Basta você pesquisar a quantidade de universidades, institutos federais e escolas públicas criadas naquele período. Além disso, os investimentos foram fecundos em muitos setores da educação. Quem tem o mínimo de informação sabe disso. Por isso, acredito que o nobre colega Professor e Doutor Haddad, conhecedor da realidade educacional e homem experiente, que já mostrou que fez e sabe fazer, é a única oportunidade para continuarmos trilhando o caminho de um País verdadeiramente livre.

Poderia citar outros argumentos válidos, que embasam a minha escolha pelo Prof. Dr. Haddad, mas prefiro ficar por aqui, para não ser exaustivo. Acredito que o País crescerá muito com um professor ocupando a cadeira presidencial. Do contrário, não creio que um capitão da reserva do exército, que não tem formação nem competência, que já deu provas de sua ignorância e do seu temperamento autoritário, tenha algo a fazer de bom pelo progresso da nação. Este capitão não serviu nem para o exército. Foi praticamente expulso. A história dele é conhecida de todos. Como dizem os jornais e analistas nacionais e internacionais, gente que estuda e sabe o que fala: este capitão é um risco à democracia brasileira, democracia jovem e tão golpeada por políticos corruptos e inimigos do povo.

Meu muito obrigado pelas homenagens a nós, professores! Se você quiser completar esta homenagem com uma boa ação, no dia 28, vote 13. Vamos eleger o Professor Haddad. Vamos dar mais uma chance para o Brasil crescer na educação e ser feliz de novo. Se você é pai ou mãe, ou responsável por alguma criança, adolescente ou jovem que precisa estudar em escola e universidade pública de qualidade, vote 13. Ou você tem dinheiro para pagar escola ou universidade privada para seu filho? O capitão pretende privatizar o ensino no Brasil. A universidade pública pode estar com os dias contados. Eu já sou formado, mas, e o seu filho? Como ficará? Pense, eleitor. Repasse essa mensagem aos seus contados.

Nobres colegas, meus parabéns pelo nosso dia! Sejamos valentes, sempre! O futuro depende de nós e de nossos alunos. Viva o professor! Viva a democracia! Professor Haddad Presidente! Vote 13.

Prof. Tiago de França

domingo, 14 de outubro de 2018

São Oscar Romero: profeta do Reino de Deus


“A Igreja, defensora dos direitos de Deus, da Lei de Deus, da dignidade humana das pessoas, não pode ficar calada diante de tanta abominação” (Dom Oscar Romero, em sua homilia, no dia 23 de março de 1980, no dia anterior à sua morte).

        Muito me emociona escrever sobre Dom Oscar Romero. Desde que conheci a sua biografia, sempre que tenho um tempinho, releio suas homilias. Quando os acontecimentos da vida querem me puxar para o desânimo, escuto a sua voz, nos áudios e vídeos disponíveis na Internet. De fato, trata-se de um santo profeta do Reino de Deus. Em breves linhas, de forma incansável e mais uma vez, quero expressar o que significa ser profeta do Reino de Deus.

        Ninguém dá a si mesmo a missão de profeta. Existe o profeta porque Deus chama e envia para um determinado lugar e em um determinado tempo. Em todos os momentos difíceis da história da caminhada do povo, Deus faz surgir mulheres e homens que anunciam a verdade do Evangelho e denunciam as injustiças que assolam o povo. Uma vez escolhido, não adianta fugir. Não adianta fazer como o profeta Jonas, do antigo testamento da Bíblia. No início, Dom Oscar queria fazer como Jonas, mas não teve jeito.

        Como um profeta sabe que está sendo chamado e enviado? Ele encontra Deus na realidade do povo. Deus chama o profeta pela boca do povo. O clamor dos injustiçados é a voz divina, chamando o profeta para agir e proclamar a Palavra da salvação. No silêncio orante, Deus está lá, falando ao coração. Este coração fica inquieto, ardente igual aos dos discípulos de Emaús, que caminhavam com Jesus sem o reconhecê-lo. Quando senta à mesa com o povo, o profeta reconhece Jesus. Aí o Reino acontece.

        Dom Oscar, até iniciar os três últimos anos de sua vida, ou seja, até 1977, era um clérigo conservador. Converteu-se tarde. Mas na dinâmica do seguimento de Jesus é assim mesmo. O clérigo não se converte, necessariamente, quando é ordenado. Seria muito bom se assim fosse. Todo cristão, clérigo ou não, converte-se quando se encontra com Jesus, reconhecendo-o e colocando-se no seu caminho. Aí, sim, temos cristão convertido. Até 1977, Dom Oscar era um bispo obediente às prescrições eclesiásticas, um bispo canonicamente exemplar. Nada além disso.

        Desse modo, não basta sermos cristãos canonicamente exemplares, cumpridores das leis e normas. Jesus não nos chamou a isso. Dom Oscar sabia disso. O cristão se torna de fato seguidor de Jesus quando entra no movimento de Jesus. Caminho é movimento, é palavra proclamada, é encontro com Jesus nas pessoas. Quando Dom Oscar deixou o conforto das seguranças da condição de bispo e se deslocou na direção daqueles que viviam sob as ameaças do regime militar, aí a sua vida ganhou sentido. Dom Oscar conheceu Jesus, a verdadeira alegria da vida.

        O que o regime militar fazia com as pessoas? O regime fez em El Salvador, na América Central, o que fez em toda a América Latina: usou a mentira do comunismo para matar os opositores do regime. No Brasil também foi assim: em nome do combate ao comunismo, milhares de pessoas foram perseguidas, torturadas e assassinadas. O combate ao comunismo na América Latina sempre foi uma mentira. Até hoje se utilizam desta mentira para justificar a perseguição e o assassinato de pessoas contrárias a governos opressores e sanguinários. Dom Oscar denunciou esta mentira e proclamou a verdade que desmascarou os crimes praticados pelos militares.

        Fica para a Igreja o testemunho de profeta do Reino de Deus. Hoje, 14 de outubro de 2018, trinta e oito anos depois do martírio de Dom Oscar, brutalmente assassinado enquanto celebrava a Eucaristia, o Papa Francisco o eleva à dignidade de santo da Igreja. Assisti, pela Internet, muito emocionado, à cerimônia de canonização, pois conheço profundamente a história deste mártir. E o meu desejo é que o bom Deus, em sua infinita misericórdia, me conceda, hoje e sempre, bem como a todos os irmãos e irmãs que professam a mesma fé em Jesus, o mesmo Espírito que guiou o profeta Dom Oscar Romero em sua entrega total a Deus. O profeta é um homem entregue nas mãos de Deus.

        Não existe força nem poder que impeça a ação do Espírito na pessoa do profeta. Com humildade e discrição, na oração e nas lutas cotidianas, o profeta vai realizando a vontade de Deus. A alguns está reservada a coroa do martírio, a outros não. Mas isto não depende do profeta. É Deus que tudo permite e direciona, para sua glória.

Ó São Oscar Romero, vós que estais junto a Deus,
neste dia solene de vossa elevação aos altares de nossa Igreja, terrena e celeste,
olhai para o Brasil, vítima das mesmas atrocidades que atingiram o povo de El Salvador.
Ajudai-nos a não esmorecermos na defesa dos mais pobres e no clamor por justiça.
Que nossa fé seja firme e nossa fidelidade seja eterna, assim como é eterno o amor de Deus por cada pessoa que nasce neste mundo e por toda a criação.
Que o mal não tenha a última palavra, e que o Reino de Deus se realize entre nós.
Ó Trindade Santa, escutai a intercessão deste vosso servo em nosso favor.
Assim seja.


Tiago de França

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Resultado do 1º turno das eleições 2018


   
     O resultado do 1º turno das eleições 2018 não trouxe muita novidade. Analisando os números, nomes e partidos, constatamos algumas evidências que nos preocupam, apesar de que o cenário já era esperado. Cresceu o número de políticos conservadores. Esta parece ser uma tendência mundial. Há uma onda conservadora tomando a política. Estes políticos, para se elegerem e reelegerem, usaram das mesmas táticas de sempre: aproveitaram-se do medo e da ignorância da grande maioria da população; exploraram o tema da família, da violência, do combate ao comunismo e à corrupção e da fé religiosa das pessoas.

        Estes foram os temas mais recorrentes. O resultado foi a vitória expressiva de militares e protestantes, especialmente líderes religiosos. Também foram eleitos e reeleitos, inúmeros políticos alinhados com o discurso do ódio às minorias presentes na sociedade brasileira. Nas falas e posturas, durante a campanha eleitoral, eles não tiveram vergonha de expor seus preconceitos e fobias. E foram aplaudidos de pé. O político tradicional quer uma sociedade “ordeira”, no sentido de ordenada, homogênea, uniforme. Fala-se que todo mundo tem que ser cristão, não ao modo do Evangelho, mas ao modo violento do falso cristianismo. Misturou-se política com proselitismo religioso, e esta mistura criou um discurso alicerçado na intolerância.

        Este discurso é formado com frases de efeito, tais como: “Bandido bom é bandido morto!”; “Lugar de bandido é na cadeia!”; “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”; “Vamos esmagar os inimigos de Jesus!”; “O Brasil tem que aceitar Jesus!”; “Nossa bandeira não pode ser vermelha!”; “Vamos mudar o Brasil nem que seja na bala” etc. Estas e tantas outras expressões revelam a índole dos inúmeros políticos eleitos. São pessoas eleitas por uma população que foi às urnas e, sem visão nenhuma da realidade (salvo exceções, para fazer justiça), entregou o País nas mãos de gente que tem sede de sangue e desejam que a maioria esmague as minorias, submetendo-as à eterna humilhação.

        Curiosamente, muitos dos políticos eleitos, que adotaram um discurso conservador e de combate à corrupção, são pessoas imorais e corruptas. Muitos deles já são réus em processos judiciais, e envolvidos em escândalos de toda ordem. No Brasil, os políticos zombam da justiça e da ingenuidade do eleitor: Muitos roubaram dinheiro público, mas, durante a campanha, defenderam operações policiais de combate à corrupção. Alguns até se referiram e elogiaram operações como a Lava Jato para falar da sua “predileção” pela justiça e pela honestidade. Vários foram eleitos. Os que não foram, apesar dos muitos votos recebidos, ficaram esperançosos para as próximas eleições. Devido às vagas serem limitadas, muitos corruptos não puderam ocupá-las desta vez.

        Por outro lado, o povo conseguiu eleger figuras importantes para continuar defendendo seus legítimos interesses. Foi o caso de muitos deputados eleitos, bem como alguns senadores. Trata-se de uma minoria que já estava comprometida com as lutas do povo, nas várias atividades e/ou bandeiras populares: moradia, causas indígenas, educação, saúde, luta pela terra, direitos das mulheres e dos negros, juventude, combate à criminalização dos pobres, comunidade LGBT etc. Também alguns governadores dedicados ao povo foram eleitos e reeleitos, principalmente no Nordeste. Estes personagens mostram que nem tudo está perdido na política. Nos poderes executivo e legislativo temos excelentes pessoas, que cumprem, honradamente, a sua missão na política.

        Para o cargo de Presidente da República, os votos se concentraram em três candidatos: Ciro Gomes, do PDT (12,47%), Fernando Haddad, do PT (29,28%) e Jair Bolsonaro, do PSL (46,03%). Os demais candidatos não tiveram votação expressiva. O povo levou a eleição para o 2º turno, que ocorrerá no dia 28 de outubro. Pela primeira vez na história das eleições brasileiras ocorrem dois fenômenos, que cremos ser necessário considerar. Primeiro, um candidato que, sem apresentar propostas detalhadas e sem participação significativa em debates, ficou em primeiro lugar. Estamos falando de Jair Bolsonaro, filiado a um partido até então considerado “nanico”, que era pouco conhecido pelos brasileiros.

        O candidato foi ganhando notoriedade devido às suas falas polêmicas na Internet. Basta digitar seu nome no YouTube ou no Google, que logo se ver uma enxurrada de falas e posturas polêmicas, pouco civilizadas e dadas a reforçar o discurso de ódio, que separa as pessoas e causa um verdadeiro caos social. Em um País marcado pela ignorância, oriunda da falta de educação de qualidade e de apreço à informação substanciosa e verdadeira, as falas do candidato levaram multidões ao êxtase, verdadeiras alucinações de massa.

Gestos e palavras de ordem, simulando violência, levaram muitas pessoas a crer que o candidato vai mesmo “acabar com todos os bandidos” do Brasil! Estas mesmas pessoas não quiserem e nem querem nem saber como o candidato fará isso, caso eleito, mas somente a promessa lhes causa certo alívio, pois estão mergulhadas no lamaçal da violência, uma constante do cotidiano dos brasileiros. Com propostas simplistas para problemas complexos, o candidato ganhou a simpatia e o voto de milhões de brasileiros. Quanto aos demais problemas, as pessoas nem perceberam que ele não nenhuma apresentou proposta viável. A impressão que há é a de que o único problema que afeta o Brasil é a violência. Mera ilusão.

Integrando, ainda, este primeiro fenômeno, também tivemos as chamadas fake news (notícias falsas), que circularam livremente e de forma mais intensa, na medida em que o dia das eleições foi se aproximando. O WhatsApp se transformou num poderoso veículo de compartilhamento de calúnia, injúria e difamação. A maioria das notícias falsas tinham o objetivo de desconstruir a imagem do candidato do PT à presidência. Portanto, foi a candidatura mais prejudicada. A Justiça Eleitoral, que tinha prometido ser rigorosa na apuração e punição daqueles que espalhassem notícias falsas durante as eleições, não cumpriu com sua promessa. Diante da quantidade de notícias falsas, o que se apurou até agora parece insignificante.

O segundo fenômeno a ser considerado é a ida do candidato do PT ao 2º turno das eleições. O ex-presidente Lula apostou, de última hora, na possibilidade de seu escolhido, Fernando Haddad, ser eleito presidente do Brasil, mesmo sabendo que a mídia e seus adversários na disputa, iriam, como, de fato, exploraram muito bem, o fato de o escolhido ser orientado pelo ex-presidente, desde a prisão, em Curitiba. Político experiente e conhecedor do povo brasileiro, o ex-presidente Lula teve êxito na sua escolha e jogada política, até o momento. Conseguiu, apesar de tudo, levar seu candidato ao 2° turno das eleições. Isso nunca ocorreu na história do Brasil. É importante lembrar ao leitor que este mesmo ex-presidente, com sua força política e carisma peculiar, conseguiu eleger e reeleger a ex-presidenta Dilma Rouseff.

Graças à expressiva votação que teve no Nordeste, Fernando Haddad conseguiu chegar ao 2º turno. A maioria dos nordestinos se mostrou fiel ao ex-presidente Lula, por seus grandes feitos naquela região, quando de sua passagem pela presidência, de 2003 a 2010. A passagem do ex-presidente pela região, antes de sua prisão, reacendeu a esperança do povo. Nestas eleições, o povo depositou a mesma confiança na pessoa de Fernando Haddad. Por este motivo, imediatamente após as eleições, os nordestinos voltaram a ser alvos de ataques preconceituosos nas redes sociais; ataques feitos por pessoas das regiões sul e sudeste, principalmente, que votaram no candidato Jair Bolsonaro.

Agora estamos na marcha para o 2º turno. Até o presente momento, o candidato Jair Bolsonaro se utiliza da mesma tática: tom agressivo, ausência de propostas viáveis, bem como sinaliza que continuará ausente nos debates. Acentua-se cada vez mais certo estranhamento entre ele e seu vice, o general Mourão. Desde o dia da confirmação deste como candidato a vice, os dois andam se desentendendo. Um é mais fechado que o outro. São dois bicudos que defendem ideias extremistas em um País carente de democracia.

A primeira pesquisa de intenção de votos, feita e publicada pelo Datafolha, revela que milhões de brasileiros continuam anestesiados, seduzidos pelas ideias antidemocráticas do capitão de reserva do exército, que assessorado por vários generais do exército, deseja ser presidente do Brasil. Sua candidatura pode ser resumida em três palavras: militarismo, entreguismo e neoliberalismo. Se o povo não abrir os olhos daqui para o dia 28 de outubro, assistiremos, certamente, ao pior retrocesso político da história brasileira. E a partir de janeiro, se o capitão for empossado, assistiremos ao início da morte sistemática e progressiva de nossa jovem e sofrida democracia. A decisão está nas mãos do povo tão iludido e enganado.

Tiago de França

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Os cristãos, a cultura do ódio e as eleições 2018

Amigos/as,

Pediram-me uma palavra sobre a conduta escandalosa de muitos cristãos e de líderes religiosos, que nas redes sociais e no seio das Igrejas cristãs, durante o período eleitoral, comportam-se de forma contrária à mensagem de Jesus. Para elucidar a questão, à luz do Evangelho de Jesus, compartilho a presente reflexão.

Um fraterno abraço a todos!

Tiago de França

Os cristãos, a cultura do ódio e as eleições 2018, ver em: https://www.youtube.com/watch?v=Xl4NSXfuBa8

terça-feira, 2 de outubro de 2018

25 motivos para não votar em Bolsonaro

Amigos/as,

No próximo domingo iremos às urnas. Votar deve ser uma atitude responsável. Fiz uma rigorosa pesquisa sobre a biografia e as ideias de Jair Bolsonaro, que, segundo os analistas mais prudentes, representa uma ameaça à nossa jovem democracia.

Por isso, para ajudá-los a conhecê-lo melhor, ofereço 25 MOTIVOS PARA NÃO VOTARMOS NELE. Vejam e compartilhem com seus amigos e grupos, especialmente aqueles que não o conhecem, suficientemente.

Grande abraço!

Tiago de França

25 MOTIVOS PARA NÃO VOTAR EM BOLSONARO - Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=pC-v_RcIars


25 MOTIVOS PARA NÃO VOTAR EM BOLSONARO - Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=8VsVWn5BaG8 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

20 sugestões para um voto consciente

Amigos/as,

Precisamos votar conscientemente. Quais critérios usamos nas escolhas de nossos candidatos? Para ajudar no discernimento necessário, compartilho 20 sugestões para um voto consciente. Compartilhem estas sugestões com outras pessoas, pois é urgente votarmos com clareza e convicção neste ano.

Meu fraterno abraço a todos!

Tiago de França

Links de acesso às sugestões:

20 sugestões para um voto consciente - Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=XtF9eH5K7KY


20 sugestões para um voto consciente - Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=tOK8Q2aM-2Q

domingo, 23 de setembro de 2018

CARTA ABERTA SOBRE AS ELEIÇÕES 2018

“Se você é neutro em situações de injustiças, você escolhe o lado do opressor”.

Desmond Tutu, Nobel da Paz 1984.

Amigos/as,

        Nesta Carta Aberta quero compartilhar, em breves linhas, uma questão que tem me deixado inquieto e preocupado, desde o dia do registro das candidaturas à presidência da República. Nesta Carta, quero me dirigir, especialmente, aqueles que professam a fé em Jesus Cristo, como membros de qualquer Igreja cristã. Não importa a qual Igreja você pertença, pois todo cristão tem a mesma fé em Jesus. O que muda é a forma como esta fé se manifesta. Só há uma fé cristã, pois um mesmo é o Senhor de todos, Jesus, o Messias enviado pelo Pai.

        Quero apelar para o bom senso e para a reta consciência de cada um, considerando os riscos a que estamos expostos, neste momento difícil de nossa história. O cenário eleitoral deste ano está marcado por candidaturas de todo tipo, visando o preenchimento das vagas para as assembleias legislativas nos Estados, a Câmara dos deputados e Senado Federal, governos estaduais e presidência da República. Temos bons cidadãos concorrendo a estas vagas, bem como políticos novos e antigos, reconhecidamente corruptos e conhecidos por praticamente toda a população. Não quero aqui elencar os nomes, pois não caberiam no espaço desta Carta.

        Antes de falar da fé cristã e o voto em Jair Bolsonaro, quero chamar a atenção para a importância de boas escolhas de políticos para os cargos de deputado estadual, federal e senador. O governador precisa da assembleia legislativa para governar. Ele não governa sozinho. O mesmo ocorre com o Presidente da República: necessita do trabalho e da colaboração dos deputados federais e senadores. O Presidente não cria leis, mas apenas as executa e administra o orçamento público devidamente aprovado no Parlamento (Câmara e Senado). Deputados e senadores criam leis, fiscalizam o Presidente e desenvolvem outras funções importantes para o andamento do País. Por isso, façam boas escolhas ao votarem para os cargos do Legislativo.

        Você que leva a sério a fé cristã, seguindo Jesus no seio de uma determinada Igreja, católica ou protestante, considere as seguintes questões: De acordo com a mensagem de Jesus, presente no seu Evangelho, pode um cristão ser favorável à tortura? É correta a atitude de um cristão que cultiva a cultura do ódio? É permitido ao cristão ser favorável à pena de morte e à prisão perpétua? Pode um cristão afirmar que a mulher é inferior ao homem, tentando, assim, justificar que no mercado de trabalho deva ela ter um salário menor que o do homem, desempenhando a mesma função? É correta a atitude do cristão que deseja a morte de outras pessoas que não compartilham das suas ideias e posicionamentos? Pode o cristão ser favorável à ditadura militar, que em vários países da América latina, inclusive o Brasil (de 1964 a 1985), ceifou a vida de milhares de pessoas contrárias ao regime? É correta a atitude do cristão que possui e apoia posturas autoritárias e violadoras das liberdades e dos direitos e garantias fundamentais? Pode o cristão se utilizar do nome de Deus para enganar e se aproveitar da boa fé das pessoas, visando ganhar a eleição? É coerente a atitude de quem afirma ter Deus no coração, e no espaço público desrespeita e agride as pessoas?

        Amigos e amigas, se você leva a sério a fé que tem em Jesus, sabe que o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é a regra de vida de todo cristão. O amor é a lei do cristão. Nada substitui o amor. Sabemos bem que quem realmente acredita em Deus e vive segundo os seus ensinamentos e segundo o seu amor, não pode ser conivente com tudo aquilo que fere e tira a vida das pessoas. Desse modo, a tortura, a cultura do ódio, a pena de morte, a prisão perpétua, a desrespeito às mulheres, o desejar a morte dos outros, os regimes ditatoriais, o autoritarismo, a violação das liberdades individuais e coletivas, a violação dos direitos e garantias fundamentais, o uso indevido do nome de Deus, e a rejeição das diferenças e da diversidade são atitudes contrárias à fé cristã. Quem segue Jesus não deve aderir a tais posturas.

        No campo político, o seguidor de Jesus deve abraçar a verdade e a liberdade, a justiça e o amor, a cultura do encontro e da solidariedade, do respeito às diferenças e da promoção da vida em todas as suas dimensões. A postura de quem segue Jesus e afirma ter Deus no coração é mercada pela doçura, mansidão, respeito, abertura, reciprocidade, suavidade, afeto, fé que se traduz em atos e não em meros discursos, acolhida e ternura. Quem crê em Jesus não se habitua a ser violento com os outros. Jesus não era violento nem promoveu a cultura da violência, mas denunciou, com firmeza e mansidão, a violência que os poderosos do império romano praticavam contra os pobres.

        Amigos e amigas, o Brasil não pode ser governado por um Presidente que não reconhece a banalidade do mal presente na ditadura militar que violentou o povo brasileiro por vinte e um anos. Negar que houve a ditadura militar é abrir a possibilidade de que a mesma experiência terrível se repita. O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro é general da reserva do exército. Muito antes de ser escolhido para ser o candidato a vice, em diversas ocasiões, tem demonstrado que seria uma verdadeira tragédia a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano. Personalidades importantes, de diversas áreas do conhecimento e das artes, no Brasil e no exterior, tem alertado para este risco. Todos são unânimes ao afirmar, categoricamente, que Jair Bolsonaro e seu vice representam uma gravíssima ameaça à democracia brasileira e à América latina.

        Por fim, caros amigos e prezadas amigas, além da incompatibilidade com a fé em Jesus acima descrita, quero fazer referência a outro ponto, que também é muito grave: Jair Bolsonaro não pensa nos mais pobres. Em nenhum momento da sua campanha e da sua longa trajetória política (há 28 anos como deputado), ele se referiu nem se refere aos pobres. Suas promessas e propostas inviáveis somente visam prejudicar os mais pobres.

Para citar somente uma delas: a promessa de que, se eleito, o “cidadão de bem” terá uma arma de fogo para se defender dos criminosos. Todos sabemos que os pobres não tem condições de comprar armas e munições. Todos sabemos que armas só servem para matar. Sabemos também que não é com armas que se combate a violência. É dever do Estado e não do cidadão cuidar da segurança pública. Para esta área, o candidato não tem uma proposta sequer que seja razoável e que possa ser implementada. Além disso, também sabemos que o Presidente da República não tem, sozinho, o poder de liberar, irresponsavelmente, o acesso às armas. Quem quiser um exemplo de país no qual o poder das armas não resolve o problema da violência, basta analisar e considerar a situação dos Estados Unidos da América: lá o acesso às armas é praticamente livre, e a consequência é que aquele país é um dos mais violentos e inseguros do mundo.

        Não quero finalizar esta Carta Aberta, recomendando o voto em um determinado candidato. O voto é livre e secreto. O que recomendo é que não votem em candidatos que não olham para os pobres. A maioria do povo brasileiro é pobre, e o futuro Presidente da República precisa demonstrar, com clareza e com propostas viáveis e convincentes, interesse em trabalhar, incansavelmente, para reduzir as alarmantes e escandalosas desigualdades sociais que assolam o País. Jair Bolsonaro, durante seus 28 anos de vida parlamentar em Brasília, nunca fez nada de significativo para o bem do País.

Os levantamentos que se fazem sobre a sua pífia atuação mostram que sequer fez alguma coisa pelo Estado do Rio Janeiro, seu Estado de origem e representação. Nunca conseguiu aprovar um projeto para ajudar o povo daquele sofrido Estado a se libertar da crise e da violência. Ser Presidente da República não é para qualquer um. É necessário ser competente (saber fazer), verdadeiramente honesto, ter projeto, querer promover a igualdade e a soberania nacional, ser uma pessoa que realmente deseja o bem comum, que é o bem de todos os brasileiros, e não de uma parcela da sociedade (a elite do dinheiro). Não precisamos de um herói, mentiroso e dado a frases de efeito. Precisamos de um Presidente que tenha projeto, que saiba explicá-lo e implementá-lo, caso eleito.

        Por isso, amigos e amigas, votemos com consciência! Sejamos responsáveis com o nosso voto. Pensemos no bem de todos. Tomemos cuidado com o que vamos fazer nas urnas! Todos somos responsáveis pelo Brasil. Esta é a nossa pátria, e é nela que vivemos. Sejamos responsáveis, coerentes, conscientes e consequentes.

        Recebam meu abraço fraterno e minha prece.

Tiago de França

Desde Belo Horizonte – MG, 23 de setembro de 2018.