sábado, 6 de janeiro de 2018

A manifestação de Deus no mundo

     
     Nestes dias, numa reunião de professores, falávamos sobre a espiritualidade ideal para o século XXI. Numa breve intervenção, falei da centralidade da pessoa de Jesus. Na ocasião, citei uma palavra do grande teólogo José Comblin (in memoriam), que escreveu em um de seus livros: “A fé vem de Deus e a religião vem dos homens”. Um outro livro seria necessário para discorrermos sobre esta belíssima verdade, e ainda assim não esgotaria a totalidade do sentido desta afirmação.

        Também nestes dias, escutei uma jovem falar da sua indignação e da sua falta de esperança no futuro do Brasil. Ela falava a partir do contexto da sua realidade: a realidade sofrida de uma pequena cidade do norte de Minas Gerais. A cidade é governada por um jovem prefeito, que não sabe fazer outra coisa senão desviar dinheiro público. A justiça local não liga para a situação. Estive pessoalmente nesta pequena cidade, e a situação é desoladora. Da boca dos pobres, escuta-se o lamento: “Aqui quem manda é quem tem dinheiro. Quem tem dinheiro manda até na justiça!”

        Como falar de Jesus em meio a este tipo de situação? Como alimentar a esperança dos pobres diante de um quadro tão deplorável e, portanto, desumanizador... Pelo que vi e ouvi das pessoas da referida cidade, o padre que dá assistência à comunidade não liga para a situação. “O que o padre faz é arrecadar dinheiro, pois ele diz que sem dinheiro o bispo não transforma em paróquia”, reclamaram as pessoas. Em muitos lugares, os padres da Igreja tem a grande oportunidade de serem profetas do Senhor, mas o medo e a acomodação não permitem. Em alguns casos, falta vocação para o sacerdócio. Este é um dos motivos que explica a procura desesperada por dinheiro.

        É justamente nestas situações que se manifesta o clamor de Jesus. O clamor dos pobres é o clamor de Jesus. Conta o evangelho que Jesus nasceu em Belém, terra de Judá (cf. Mt 2, 1-12). O lugar onde nasceu Jesus era como esta pequena cidade do norte de Minas: praticamente ninguém ouviu falar. Trata-se de um lugar sem grande importância política, lugar de pobreza e de sofrimento. Quando noutro relato um importante letrado soube da origem de Jesus, indagou: Pode alguma coisa boa sair de Nazaré da Galileia? Neste relato, Jesus teria nascido em Nazaré. Isso mostra que Jesus nasceu em um lugar de gente suspeita.

        Deus quis encarnar-se em Belém, e hoje está presente onde se encontram os bem-aventurados de seu Reino: os pobres, os humildes, os simples, os puros de coração, os perseguidos, os caluniados, os que tem sede de justiça, os misericordiosos, os injustiçados e todos os excluídos de nossa sociedade. Em Belém aconteceu o feliz encontro dos magos do Oriente com o Deus encarnado. Hoje, todos aqueles que desejam fazer a mesma experiência devem se dirigir aos lugares de encontro com os bem-aventurados de Deus. O mesmo evangelho diz que Deus permanece o mesmo, ontem, hoje e sempre. Assim, Ele permanece disponível no mesmo lugar, acolhendo e se alegrando com todos aqueles que se dispõem a encontrá-lo nas periferias deste mundo.

        Por fim, retomo o pensamento do teólogo belga, que fez a sua experiência de encontro com Jesus no interior do nordeste brasileiro: “A fé vem de Deus e a religião vem dos homens”. A fé é dom de Deus. Portanto, não vem dos homens. Religião é cultura, que nasceu para satisfazer uma necessidade humana. Os homens criaram a religião, e muitos precisam dela para se relacionar com Deus. Desse modo, a religião não pode ocupar o lugar de Deus, pois é Deus o absoluto, e não a religião. Esta pode até desaparecer, pois não é eterna. Pode também a religião se transformar, ser recriada e repensada, adaptar-se à evolução das culturas. O mesmo ocorre com as formas de manifestação da fé. Enquanto dom, a fé não muda. O que muda são as formas da sua manifestação no mundo.

        Hoje, muita gente confunde a fé com a religião. Na verdade, são realidades que não se confundem. Podemos ter pessoas de fé sem religião, bem como pessoas religiosas sem fé. A fé não depende necessariamente da religião para existir. É verdade que a religião surgiu para ajudar as pessoas no cultivo da sua fé. Mas é verdade também que, em muitos casos, a religião atrapalha a fé das pessoas. Isto costuma acontecer quando tais pessoas absolutizam a religião, como se esta assegurasse a salvação. Sabemos bem que Jesus é o caminho que conduz a Deus. Assim, não é a religião o caminho.

        Em tempos sombrios como os atuais, precisamos recuperar Jesus. É Jesus e não a religião o centro de nossa vida e fé. Não precisamos brigar por causa de religião. Este tipo de conflito é inútil e não leva a nada. Para não nos perdermos no caminho, precisamos fixar os olhos em Jesus. Não é possível seguir Jesus sem esta atitude fundamental. Ninguém se encontra com Jesus deixando-se dominar pela dispersão e desorientação. Fixar o olhar nele significa identificar o lugar do seu convívio e se dirigir na sua direção. Jesus nos chama e quer permanecer em nós.

Os cristãos, sem Jesus no centro, se perdem na caminhada da vida, e já não são mais cristãos. A fé sem Jesus no centro já não é mais fé cristã. Se quisermos sobreviver às atrocidades de nossos dias, precisamos recuperar Jesus, fixar os olhos nele, colocarmo-nos em seu caminho, perseverando até às últimas consequências. Isto é o que o Espírito de Jesus fala aos cristãos da hora presente: ou colocamos Jesus no centro, ou continuaremos assistindo ao desespero tomando conta das pessoas, numa gritaria sem fim, perdidas, sem rumo.

Ousemos optar por Jesus. Vale a pena. O seu amor é lindo de ver e de viver! Que neste ano que se inicia, o auxílio divino permaneça conosco. Caminhemos firmes na esperança, hoje e sempre.

Tiago de França

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

MENSAGEM DE NATAL 2017

Deus vem ao nosso encontro para nos humanizar

        Celebra-se no Natal a encarnação de Deus na humanidade. Em Jesus, Deus vem ao nosso encontro para nos tornar cada vez mais humanos. O divino se manifesta no humano. O modus operandi de Deus é maravilhoso porque se revela a nós como Aquele que deseja nos tornar divinos, fazendo-nos participar da Sua vida. Não há mistério tão feliz quanto este: Deus quer fazer morada em nós e, assim, revela-nos o seu grande e infinito amor. Sem esta íntima relação com Ele, não podemos conhecer o seu amor. Portanto, trata-se de uma divina experiência que não ocorre nas alturas dos céus, mas em nossa carne, na humanidade de nossos corpos, no calor de nossas experiências cotidianas.

        O Deus que vem é Aquele que deseja permanecer. Encarnando-se, Deus habita este mundo, obra de Suas mãos. Sua vinda e permanência entre nós recria todas as coisas. Tudo é recapitulado em Cristo Jesus. Em Jesus, o Ungido do Pai, manifesta-se a plenitude do humano e do divino. Com Jesus, aprendemos o verdadeiro significado de ser imagem e semelhança de Deus. Olhando para Ele e fixando nossos olhos Nele, conhecemos a nossa vocação primeira: a de sermos filhos amados Daquele que nos ama, apesar de nossas fraquezas e de nossos pecados. O pecado não é empecilho para Deus. Deus é infinitamente superior e nos eleva, libertando-nos do medo e do poder da morte.

        A celebração do Natal é a celebração da esperança ativa. Os que acreditam no mistério sublime da encarnação de Deus na humanidade experimentam a força da esperança, e esta impulsiona o discípulo missionário de Jesus nas lidas do Reino de Deus. Não há manifestação deste Reino sem a esperança, que, juntamente com a fé e o amor, fazem resplandecer em meio às trevas do mundo o Espírito de Jesus. Em Jesus, a esperança nos transforma em missionários da Boa Notícia da encarnação de Deus no meio dos empobrecidos e fragilizados deste mundo. A esperança cristã coloca o missionário de Jesus no seu devido lugar: o lugar da manifestação de Deus neste mundo, que é Belém, terra de Judá, presente nas periferias dos quatro cantos da terra.

        Desse modo, a celebração do Natal de Jesus é uma excelente oportunidade para respondermos, com sinceridade e verdade, à questão: Onde Jesus está nascendo hoje? Ousemos responder de acordo com o Evangelho do próprio Cristo, que é a mensagem central do Reino de Deus. Jesus não nasceu no palácio real, em meio à segurança e ao luxo. O mistério da encarnação divina aconteceu no meio dos empobrecidos, entre os últimos. Nascendo numa manjedoura e em terras de pouca importância e visibilidade no vasto império romano, quis Deus confundir os grandes, manifestando-se em meios aos fracos e oprimidos. Deus escolheu a fragilidade e a pequenez, a insignificância e o lugar dos últimos, tornando-se carne humana entre os empobrecidos e pecadores.  

        Desse modo, hoje, no Brasil e em nossas comunidades, Jesus está nas periferias existenciais: Ele está nascendo, solenemente, na vida dos empobrecidos e marginalizados: na vida dos quase treze milhões de desempregados; na vida das mulheres vítimas dos inúmeros estupros que se cometem diuturnamente; na vida dos que se encontram nos leitos e filas dos hospitais públicos; na vida das minorias sexuais vítimas da violência; na vida dos trabalhadores que padecem os cortes em seus direitos trabalhistas por causa da “reforma” feita pelo “governo” atual; na vida dos que estão jogados nas ruas, praças, avenidas e vielas das grandes cidades, aflitos e dominados pela fome, frio, drogas, vícios e falta de perspectiva; na vida dos jovens, sem estudo e sem trabalho, sem esperança, sobrevivendo nas ruas e nas prisões lotadas e desumanas; enfim, Deus está se manifestando no mesmo lugar e nas mesmas pessoas de sempre.  

        O governo federal, a sua base aliada, os grandes empresários e a grande mídia, mentirosa e manipuladora da consciência popular, exercem, covardemente, o papel de Herodes, dedicando-se, sem descanso, a perseguir, oprimir e matar a vida do povo brasileiro. Esta corja de criminosos é inimiga do Deus presente na pessoa de Jesus. Portanto, desconhecem o verdadeiro sentido do Natal, e não podem, jamais, sentar à mesa do Reino de Deus. Não se celebra o Natal perseguindo Jesus na pessoa dos empobrecidos. E todo aquele que compreende o verdadeiro sentido da encarnação de Deus neste mundo, posiciona-se, frontalmente contra os Herodes que dilaceram a vida dos empobrecidos. Quem se coloca a serviço dos Herodes é inimigo do Deus encarnado, e conhecerá a ruína no tempo certo.  

        Esperançosos, celebremos! Que o Deus da vida e da liberdade permaneça conosco hoje e sempre, encorajando-nos para permanecermos firmes, fieis e fortes nas lutas de seu Reino que também é nosso. Assim seja!

Desejo a você, sua família e comunidade, um Feliz Natal, e que o ano vindouro favoreça os nossos anseios por justiça e paz!

Receba meu abraço fraterno e minha prece.

Fraternalmente, em Cristo Jesus – Verbo encarnado,

Tiago de França

sábado, 2 de dezembro de 2017

Viver despertos

       
      Na vida, há quem vive e há os que meramente sobrevivem. Inúmeros são os fatores que levam à sobrevida, e um deles é a dispersão. Nestas breves linhas, queremos falar da importância do viver despertos a partir de uma experiência pessoal de encontro com o despertar. Permita-me uma breve partilha fraterna sobre o tema.

        Quando seminarista na comunidade dos Irmãos e Padres Lazaristas, conheci um santo homem que viveu a experiência do despertar. Era noviço, e durante o ano, o santo padre vinha ao nosso encontro. Era, de fato, um santo padre. Chamava-se Geraldo Ferreira Barbosa (in memoriam). Aos noviços, ele falava sobre espiritualidade. Com ele, conheci a espiritualidade cultivada e ensinada pelo místico jesuíta Anthony de Mello.

        Observava bem a maneira como o padre Geraldo nos falava. A mansidão, humildade, desapego e alegria eram contagiantes. Estas eram suas qualidades. Em particular, sempre conversava com ele. Ao deixar o processo formativo, tive a graça de conversar, longamente, com ele. Escutei palavras sábias de um homem santo e sábio, que as guardo no coração.

        Com Anthony de Mello e com o padre Geraldo aprendi a ler o evangelho de Jesus na perspectiva da espiritualidade do desapego e da atenção. Passei a praticar esta espiritualidade, que é a mesma que Jesus praticou em sua peregrinação terrena. Em minha experiência particular, tenho experimentado os efeitos desta espiritualidade, e o maior deles é a graça de viver o presente, porque neste está a vida. Esta, de fato, acontece no aqui e agora. É pura manifestação da graça de Deus.

        O que significa estar atento? Significa permanecer acordado. Viver dormindo é o mesmo que não perceber a vida, não experimentá-la; é viver acorrentado pelas preocupações da vida, pelos apegos, pelos desejos e ambições, é ser escravo de si mesmo e dos outros. Infelizmente, a grande maioria das pessoas sobrevive assim. Não sabem nem experimentam a liberdade dos filhos e filhas de Deus.

        Quem vive em estado permanente de atenção tem o dom da visão da vida: enxerga a vida como ela é, sem fugas nem ilusões. Trata-se de um despertar para a vida; um despertar que dura a vida toda. Nem a morte consegue tirar a vida de quem realmente conseguiu despertar, pois quem desperta já se libertou do medo e do poder da morte. Quem vive desperto é reconciliado com a própria morte. Assim, o morrer se torna lucro.

        Para despertar é necessário viver, permanentemente, a experiência do desapego. Desapegar-se de si mesmo, das coisas, das pessoas e dos acontecimentos. Viver a vida com liberdade, sem se deixar prender a nada. Amar a todos na liberdade e para a liberdade. Trata-se de uma experiência de leveza, de mansidão e de gratuidade. Pessoas desapegadas são livres e leves, são alegres e destemidas, compassivas e esperançosas. São pessoas que não vivem sofrendo por causa das preocupações da vida, pois confiam plenamente na divina providência. Elas vivem a certeza de que Deus jamais as abandona.

        Neste domingo, os cristãos da Igreja católica iniciam a experiência do tempo litúrgico do advento, preparando-se para a celebração solene do Natal de Jesus. No evangelho, Jesus recomenda a vigilância. Vigiar é permanecer acordado e em ação; é viver a experiência da atenção e do desapego. Sozinho, ninguém é capaz. O mesmo Deus que chama para viver despertos é quem concede a graça desta experiência feliz. Há muito o que se falar sobre a experiência do despertar, mas a linguagem humana é incapaz de explicitar o que Deus faz na vida daqueles que se abandonam em suas mãos e à sua graça.

        Por isso, vale a pena se arriscar e experimentar. Somente assim, conhecerá a vida e vivê-la-á abundantemente. Quem quiser viver de verdade, libertando-se da vida mesquinha e medíocre, deve se abrir à generosa e misericordiosa ação de Deus, que, silenciosa e discretamente, nos faz conhecer o verdadeiro sentido da vida e a verdadeira alegria de viver. Do contrário, as pessoas não passam de cadáveres ambulantes, que experimentam o gozo das alegrias passageiras, iludindo-se a si mesmas, pensando que são felizes.

        Quem quiser conhecer e experimentar a vida, acorde e desapegue-se!


        Tiago de França


Obs: Na foto, segurando o cálice, o Pe. Geraldo Ferreira Barbosa, C.M.

sábado, 11 de novembro de 2017

Acordar para a vida

     
        A fé cristã nos chama à vida. Trata-se de um chamado à vida em plenitude. Viver de qualquer jeito é desperdiçar a vida, e quem vive no desperdício perde a oportunidade de viver plenamente. O que significa desperdiçar a vida? Significa viver na superfície, sem o necessário mergulho no mais profundo de si mesmo. Sem este mergulho não há autoconhecimento, e sem este não há conteúdo, mas superficialidade. O mundo atual nos chama à superficialidade e à futilidade. Muito facilmente, encontramos pessoas superficiais e fúteis, que vivem ocupadas com o nada fazer. Estas pessoas vivem dormindo. Não vivem, mas passam pela vida.

        Quem realmente conhece o sentido, o valor e o conteúdo da vida, vive acordado. Viver acordado significa experimentar a vida como ela é, sem fugas, sem desculpas, sem mesquinhez. A vida é sinônimo de alegria, generosidade, doação, movimento, relação com o outro, dinamismo, potência. Por si mesma, a vida é bela e se multiplica, é simples e verdadeira, é uma teia de possibilidades. Viver é bom, e somente conhece a bondade da vida aqueles que ousam viver, libertando-se do egoísmo e da mesquinhez. Quem realmente vive não perde tempo com os entraves da vida, não fica parado no caminho. A vida é como um pássaro livre, leve e solto. O pássaro é uma ave que nos ensina a liberdade de viver.

        As preocupações, as ambições, os interesses, a mentira, a aparência, a descartabilidade, a sede de dinheiro e de poder, e tantos outros entraves, tiram a alegria de viver de muita gente. Muita gente vive triste, abatido, ansioso, depressivo, desmotivado, portanto, sem sentido para viver porque se deixam travar, permitem-se amarrar pelos entraves da vida. Por si mesma, a vida tem um poder muito forte. Nada nem ninguém consegue controlar o impulso da vida. Todos aqueles que conseguem enxergar e compreender o poder da vida, jamais se deixam abater pelos impulsos de morte. É possível que em meio às tempestades da vida, a pessoa possa caminhar, firme e perseverante, de olhos fixos no horizonte, com a plena consciência de que tudo é transitório, tudo flui, tudo passa.

        Acordar para a vida é permitir que a vida se manifeste, é deixar viver. Os entraves tendem a não permitir que a vida flua. A vida de todo ser vivo: as pessoas, os animais e as plantas, enfim, todo organismo vivo, aparece e se manifesta porque quer viver. Assim, precisamos recuperar o respeito e a reverência pela vontade de viver e de deixar que tudo o que é vivo, de fato, viva. Isso significa que não podemos nos transformar em entraves na vida dos outros seres vivos.

Nossa missão é de fazer com que a vida continue fazendo o que lhe é peculiar: multiplique-se! Enxergar esta realidade é permanecer acordado. A vida não pode passar despercebida. Não percamos a oportunidade de viver e fazer a vida viver! A vida é como um rio, que, silenciosamente, segue seu curso até o mar: sem violência, com constância, carregando vida por onde passa, até desaguar na imensidão misteriosa do oceano.

Assim é cada pessoa: nasce para viver, e vivendo com os outros e para os outros, sem cochilar, experimenta a alegria de viver e transmite esta mesma alegria aos outros, até chegar o dia e a hora do desaguar, do mergulho definitivo na plenitude total da vida sem fim. A vida de cada pessoa teve um início com a sua concepção e nunca mais terá fim. E é assim porque a nossa vocação primeira é para vivermos, de verdade, neste mundo e para o infinito, porque somos eternos.

Portanto, enquanto perdura a nossa vida neste mundo, precisamos assumir, responsavelmente, o nosso compromisso com a promoção da vida de tudo e de todos, posicionando-nos contra a todas as forças de morte que operam neste mundo. Infelizmente, há muita gente a serviço do esquadrão da morte, mas a força daqueles que se colocam a serviço do poder da vida, é muito superior. A regra é viver e fazer viver. Quem quiser ser feliz, destrave-se e viva! Destrave-se com os outros e para os outros porque viver é permanecer aberto, disponível, disposto e acordado. É preciso manter as lâmpadas acesas, e o combustível das lâmpadas é o amor, sem o qual não é possível viver, verdadeiramente. Que o amor nos destrave e nos desperte para a vida!


Tiago de França

sábado, 28 de outubro de 2017

O amor segundo Jesus

Amigos/as,

O que significa o amor segundo Jesus de Nazaré? Por que fugimos do amor, e optamos pela indiferença? Estas questões me levaram a pensar sobre o amor. Fora do amor não há salvação. Convido-lhes a assistir às provocações sobre o tema, que compartilho no breve vídeo a seguir.

Bom fim de semana a todos/as!

Tiago de França

domingo, 22 de outubro de 2017

ALGUMAS PROVOCAÇÕES SOBRE A MISSÃO CRISTÃ HOJE

“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16, 15)

Antes e depois do Concílio Vaticano II

        Na literatura teológica da Igreja Católica encontramos uma vasta bibliografia sobre o tema da missão, especialmente nos tempos pós-Vaticano II, em que o tema da missão foi retomado com força. Antes do Vaticano II, a missão era entendida como realidade de clérigos e religiosos. Os leigos não eram considerados missionários, mas apenas destinatários da missão da Igreja. O povo assistia às missões, recebendo os sacramentos. No mais, a vida paroquial era rotineira, marcada pela piedade popular, pela celebração da Eucaristia e dispensa dos sacramentos. A Igreja não se reconhecia como Povo de Deus em marcha no mundo, mas entendia-se como relação rigorosa entre clérigos e leigos, marcados pela obediência e observância das leis eclesiásticas. A vida eclesial era uma repetição incansável de ritos, preces e louvores. A religião era uma realidade parada no tempo.

        Após o Vaticano II, encerrado no dia 8 de dezembro de 1965, a Igreja despertou para a realidade da missão. Os documentos conciliares apontam para a missão da Igreja no meio do mundo, ou seja, já não mais se concebe a Igreja como realidade acima do mundo nem separada dele. Ao invés de o mundo ir à Igreja, esta é chamada a ir ao mundo, para anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus. Reconheceu-se, portanto, esta necessidade: Ir, sair de si, partir na direção do mundo. O povo de Deus está no meio do mundo, e a missão do cristão deve acontecer neste mundo, marcado pelas tristezas e alegrias, angústias e sofrimentos, gritos e infortúnios de toda sorte. O desafio de partir é permanente e provocador, é evangélico e transformador. Não há Igreja de Jesus sem este partir para a missão. Não há missionário sem deslocamento, sem saída do mundo da segurança pessoal.

        Depois de João Paulo I, que teve um pontificado muito breve, veio o grande João Paulo II. Durante quase três décadas governou a Igreja, dando ênfase à identidade institucional desta. Criou uma geração de católicos, clérigos e leigos entusiasmados com a liturgia oficial, com paramentos litúrgicos, com a devoção a Maria e aos santos, com o cumprimento rigoroso das leis canônicas e veneração filial à figura do Pontífice. Assim, acentuou-se a imagem da Igreja em toda a terra. Eventos de massa passaram a ser organizados para demonstrar a força persuasiva e simbólica do Papa: Jornada Mundial da Juventude e peregrinações marianas. Multiplicou-se a canonização dos santos, especialmente os santos fieis à sagrada tradição, marcados pelas devoções particulares, reforçando, assim, um modelo de santidade desvinculado da dimensão política da fé.

        Para consolidar este modelo hierárquico de Igreja, pautado na oração e na obediência, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, com toda a sua pompa, foi eleito Pontífice. Na mesma linha do seu sucessor, mas com um carisma pouco afeito a gestos sentimentalistas, Bento XVI continuou dirigindo a barca de Pedro em meio a uma enxurrada de denúncias contra muitos membros do clero, metidos em escândalos sexuais e financeiros. Homem de profundo conhecimento em teologia, Bento XVI chamou a atenção para a necessária ortodoxia da fé, ou seja, foi rigoroso com o trato da exposição da fé cristã, muito preocupado com a manutenção da sagrada tradição da Igreja. Suas obras teológicas até hoje permanecem como fonte de pesquisa e estudos nos cursos de teologia católica. Com seu predecessor, criou uma geração de saudosistas, apegados à boa tradição, disciplinados na elaboração sistemática do conteúdo teológico da fé. Seu pontificado foi praticamente igual ao seu predecessor.

        O grande gesto do Papa Bento XVI foi a sua renúncia ao pontificado, em fevereiro de 2013. Este gesto feliz concedeu à Igreja a oportunidade de, pela primeira vez na história, um latino-americano, oriundo da Argentina, chegasse ao Bispado de Roma. Dada a situação crítica da Igreja, parada no tempo, o colégio de cardeais escolheu Francisco, para reformar a Igreja. É verdade que Francisco tem consciência de que não pode fazer tudo o que deseja, afinal de contas, não governa sozinho a Igreja. Mas é verdade também que tem feito muito bem à Igreja, muito mais que seus dois predecessores juntos. Desapareceu do seio da Igreja a cultura do medo e da repressão. Não se ouviu mais falar de proibição quanto à discussão de temas necessários à vida eclesial. O grande gesto de Francisco, além da sua simplicidade no jeito de ser e de agir, é a sua ousadia em apontar para o essencial: o Evangelho de Jesus. E aí o tema da missão é retomado com força, após décadas de silêncio e apego às tradições dos antigos.

Quem envia?

        Quem envia é Jesus. O chamado não é para a missão em nome da Igreja, mas em nome de Jesus. O missionário é alguém chamado a continuar a missão de Jesus. Ele é autor da missão. O mundo é o campo da missão. Ninguém é chamado para fugir do mundo, refugiando-se no isolamento. O missionário é pessoa do contato, da comunicação, do encontro. É aquele que promove a cultura do encontro. É encontrando-se com os outros que a missão acontece. Em uma sociedade marcada pelo desencontro, o discípulo missionário de Jesus promove a urgente e necessária cultura do encontro.

        O Pai e o Filho enviam na força do Espírito Santo. O cristão que atende o apelo à missão age em nome da Trindade Santa. Esta mesma Trindade confere autoridade ao missionário para que este fale em nome dela. Por isso, todo missionário precisa ter consciência sobre quem o envia à missão. Assim, não terá medo de nada, caminhará sempre com segurança e serenidade. O Deus uno e trino é a sua segurança, pois o mesmo que envia é o que dá a devida segurança. Não há, neste mundo, pessoa, circunstância, ou poder, que impeça o enviado da Trindade de cumprir a sua missão. Quem envia confere a força necessária para o necessário enfrentamento das situações difíceis.

Para onde envia?

        A leitura da Bíblia revela o lugar de Deus neste mundo. Ele jamais esteve do lado dos poderosos e opressores, e não se identifica com as forças que oprimem os pobres. A revelação bíblica, do Gênesis ao Apocalipse, é fiel ao mostrar, com clareza, o lugar do encontro com Deus. No antigo testamento da Bíblia aparece Deus agindo no meio dos pobres, dos oprimidos, libertando aqueles que estavam aprisionados na casa da escravidão. Escolhendo homens e mulheres, envio-os para libertar o povo da escravidão; e, apesar da infidelidade do povo eleito, Deus permaneceu fiel. A marcha da libertação integral do povo de Deus chegou até Jesus, e este transmitiu aos seus seguidores a missão de permanecerem no mesmo caminho de fidelidade ao Pai, servindo ao povo de Deus.

        Lá onde encontramos os marginalizados da sociedade: desempregados, prostitutas, viciados em drogas; moradores de rua; enfermos nos hospitais e fora deles; mulheres abandonadas; os presidiários; os que passam fome; os nus; os desorientados e sem perspectiva; os desenganados pela medicina; os perseguidos por causa da justiça, as vítimas das inúmeras formas de violência; as crianças, adolescentes e jovens abandonados; os que são violados em seus direitos e garantias fundamentais; as famílias das vítimas das “balas perdidas”; as viúvas desamparadas; os idosos abandonados; as vítimas da censura; enfim, todos aqueles que são esquecidos no anonimato, feridos em sua dignidade. Onde estão eles, aí está Deus. É aí o lugar da missão e do missionário.

        Somente impulsionado pelo Espírito Santo, o missionário é capaz de ir ao encontro destas pessoas. Sem o auxílio do Espírito, não é possível ser missionário no meio dos sofredores. Sem este auxílio divino que desinstala o missionário, conduzindo-o ao encontro dos sofredores, facilmente se cai no comodismo. Numa sociedade marcada pelo egoísmo, para quem se deixa dominar por este, o sofrimento do outro não significa nada. O missionário não pode ser egoísta. O egoísmo acaba com a missão. Missão e egoísmo são realidades incompatíveis. Livre do egoísmo e sem isolar-se em sua zona de conforte e segurança pessoal, o missionário se expõe, se desloca, parte para a missão. Missão é partir para ir ao encontro; é um partir definitivo, sem olhar para trás. Trata-se de assumir um estilo de vida que impõe riscos e incômodos, pois é caminho estreito, pedregoso e, às vezes, muito perigoso.

        Quem almeja conforto e segurança não pode ser missionário. O caminho a ser trilhado não é confortável nem oferece segurança. Os que procuram “salvar a própria vida”, diz Jesus, vai perdê-la; mas aqueles que “perdem a vida” por causa de Jesus e da sua mensagem, estes encontrarão a vida. Este “perder a vida” por causa de Jesus e do seu evangelho significa doar a própria vida na missão; é deixar-se consumir pela missão. Assim como a vela se consome para oferecer luz, o mesmo ocorre com o autêntico missionário: Gasta a sua vida na missão, sem reservas nem limites. Apesar do cansaço, da incompreensão, da perseguição e da rejeição, o missionário permanece firme, de pé e de cabeça erguida, denunciando as injustiças e anunciando o Reino de Deus, no serviço perseverante e amoroso ao próximo.

Enviados para quê?

        O missionário é enviado para anunciar o evangelho da vida e da liberdade. O Reino de Deus é vida e liberdade para todos. Esta é a mensagem central do cristianismo, a mensagem de Jesus. Hoje, mais do que em outras épocas, tornou-se cada vez mais urgente anunciar o evangelho de Jesus. Assim, o missionário não é chamado a pregar a doutrina da sua Igreja, por mais perfeita e útil que pareça ser a doutrina. E é assim porque todo missionário sabe que não é a doutrina da Igreja que converte e salva as pessoas, mas somente a palavra de Jesus tem força geradora de vida eterna. Anunciar a palavra de Jesus é a missão do missionário. Nenhum conjunto de leis nem de doutrinas pode substituir a palavra de Jesus. Esta palavra está no centro, e Jesus a pronunciou para a salvação de todos.

        Desse modo, desvia-se da missão confiada por Deus todo missionário que anuncia ao povo as próprias ideias e ideologias religiosas. A ninguém Jesus deu poder e autoridade para fazer isso. O anúncio é anúncio do evangelho de Jesus, e não de ideologias criadas pela inteligência humana. Estas ideologias visam a satisfação dos interesses humanos, de grupos e instituições. O anúncio do evangelho visa o Reino de Deus. O verdadeiro missionário não vive em função dos interesses da religião, mas consome a sua vida no anúncio da mensagem de Jesus. Não valeria a pena ser missionário para pregar ideologias humanas. Estas são imperfeitas e promovem o corporativismo. O evangelho de Jesus não é ideologia nem promove corporativismo.

        Neste sentido, falsos missionários são aqueles que se dedicam a pregar ideologias exclusivistas, que somente servem para julgar, condenar e excluir as pessoas. Infelizmente, encontramos muitos falsos missionários em todas as Igrejas cristãs que, ao invés de acolher e cuidar do povo, especialmente dos que mais sofrem, se dedicam a criar doutrinas e regras religiosas que causam divisão, legitimando a hipocrisia religiosa. Há muitos discursos moralistas, geradores de muita intolerância religiosa no seio das Igrejas. Jesus não ensinou a seus discípulos a criar regras morais para controlar a vida das pessoas nem para classificá-las em categorias. Doutrinas e regras só servem se estiverem em sintonia com a mensagem de Jesus. Ninguém é obrigado a ouvir e aceitar doutrina e regra religiosa contrárias ao evangelho de Jesus. Não se pode impor às pessoas doutrinas e regras contrárias ao evangelho da vida e da liberdade. Missão e imposição são realidades incompatíveis.

Missão: Um apelo ao amor

        Precisamos nos colocar a serviço da criação de um mundo mais justo e fraterno para todos. Quem foi batizado em nome da Trindade precisa assumir a missão de anunciar o Reino de Deus. Esta missão é inadiável. No juízo final cada cristão vai ser cobrado, caso não tenha desempenhado a sua missão neste mundo. Não podemos ser covardes. Não podemos cair no comodismo e nos apegarmos às seguranças deste mundo. Para combater o mal do mundo precisamos amar sem medo e sem limites: Amar a todos, sem distinção. Todos somos filhos do mesmo Pai, que é amoroso para com todos. Com o testemunho de nossa vida precisamos criar uma sociedade justa e fraterna. O medo e o desespero não podem nos controlar. O Espírito do Senhor está conosco. Confiemos nele. Entreguemo-nos a Ele. Assim, a missão acontece, e o Reino de Deus se torna realidade entre nós. Com este propósito nos dispomos a pensar estas reflexões/provocações. Que o auxílio divino permaneça conosco, hoje e sempre.
Fraternalmente,

Tiago de França

domingo, 15 de outubro de 2017

SER PROFESSOR

     
      Este dia não pode passar despercebido. Trata-se do Dia do Professor: O único profissional responsável pela formação dos demais profissionais. Na qualidade de professor, queremos oferecer algumas provocações a partir da nossa experiência pessoal.

        Inicialmente, é preciso dizer que o professor não é um mero repetidor nem transmissor de conteúdos. Qualquer pessoa pode fazer isso. O professor não é qualquer pessoa. Apesar de que, muitas vezes, muitos professores se permitem ser reduzidos a isso. Antes de mais nada, o professor é um educador.

        Educar não se reduz a ensinar bons modos. Educar é despertar no outro o desejo de pensar. O aluno precisa ver no professor um despertador da consciência crítica. Esta consciência surge por um intenso e gradual trabalho que ocorre no mundo da educação. A escola é o lugar da fomentação desta consciência.

        O trabalho do professor é uma arte, que exige perseverança e muita paciência. Cada aluno tem seu ritmo e seu contexto histórico. Como dizia o filósofo Ortega y Gasset, cada pessoa é um “eu e suas circunstâncias”. E o professor é chamado a considerar isso. A educação é um infinito trabalho de lapidação das pessoas. O aluno vem à escola, com suas histórias, pré-conceitos, saberes, hábitos, tradições etc., e o professor aproveita tudo isso para despertar nele a necessidade de tudo avaliar, criticamente.

        Atualmente, o trabalho do professor tem aumentado e se tornado desafiante. Diante da onda neoconservadora que tem tomado conta do País, nós, professores, estamos nos perguntando: O que está acontecendo? Será que temos desempenhado bem a nossa missão? De onde vem toda essa cultura da violência? Por que tanta gente de mente fechada e embrutecida? É verdade que a escola não cultiva a cultura do ódio e da indiferença. Nenhum professor que se preze, por mais mal preparado que seja, cultiva na mente do aluno a cultura da violência. Também é verdade que a escola precisa se empenhar melhor no combate a esta cultura da intolerância, que ousa imperar na sociedade.

        Outro grande mal que tem surgido atualmente, e que tem dificultado demais o trabalho do professor, e que, infelizmente, tem ganhado corpo na sociedade, é a proposta denominada “Escola sem partido”. Trata-se de uma ideologia neoconservadora que nasceu com a pretensão de tirar a liberdade de lecionar do professor. Sem liberdade não há educação. A educação existe em função da liberdade. Como ensina o grande cientista da educação, Paulo Freire: Educa-se para a liberdade. Quando se proíbe o professor de tratar determinado assunto, o que se quer, na verdade, é limitar o espaço da discussão do conhecimento. Em um regime democrático de direito isto é muito grave, pois contraria a liberdade de expressão concedida nos termos da Constituição da República em vigor.

        Hoje, o professor não pode deixar de lado a sua missão, deixando-se dominar pela omissão e pela covardia. As crianças, adolescentes e jovens são as principais vítimas da alienação oriunda da falta de consciência crítica. O professor é o único profissional capaz de despertar em todos o sublime gosto pelo pensar, e por meio deste, ensina-se a todos a aprender a analisar, criteriosamente, a realidade de si mesmo e do mundo; tendo em vista a realização das transformações necessárias para o verdadeiro progresso e evolução humana. Não há verdadeiro progresso sem uma educação verdadeiramente libertadora. Há de se trabalhar sempre para assegurar às pessoas a realização da sua vocação primeira: a vocação para o pensar.

        Particularmente, como professor de filosofia e educação religiosa, tenho procurado desempenhar esta árdua, mas gratificante missão: Levar o aluno a enxergar a realidade, despertando o desejo de pensar, criticamente. O aluno pode até não se dar bem na apreensão dos conceitos básicos do conteúdo, mas se é capaz de enxergar o que está por trás daquilo que se apresenta como óbvio, já me deixa de alma lavada. Tenho alunos que me dão esta alegria: A de se apaixonarem pela busca do conhecimento, insaciavelmente.

Por isso, apesar de um sistema educacional que precisa ser revisto na perspectiva da criação de sujeitos livres e, portanto, autônomos, sou professor porque acredito na transformação das pessoas. Sou professor porque acredito em outro mundo possível, a ser construído por pessoas livres e libertadoras, conscientes de si mesmas e do que acontece ao seu redor. Esta é a minha bandeira. Esta é a minha esperança. Pela a libertação integral das pessoas e erradicação da ignorância geradora de todo tipo de intolerância e violência, sou professor, e com muito orgulho!

Com estima e consideração à minha genitora, Cícera Luís de França, minha primeira professora, que me ensinou a ler, contar, enxergar e ser gente! Aos meus professores de ontem e de hoje, a minha eterna gratidão.

Prof. Tiago de França