segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Servir a Deus ou ao dinheiro


“Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).

O texto evangélico deste 25º Domingo Comum (cf. Lc 16, 1 – 13) trata do perigo do dinheiro na vida cristã. Durante o texto Jesus fala de alguns temas interessantes, a saber: atitude prudente na administração (vv. 1-8), uso da riqueza em favor dos pobres (v. 9), a fidelidade nas pequenas coisas (vv. 10-12) e a escolha entre o serviço a Deus e o serviço às riquezas (v.13). O atual momento político-eleitoral é muito oportuno para se falar destes temas. A situação atual exige um olhar crítico e conscientizador, uma vez que todos somos chamados a contribuir na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Deus criou todas as coisas boas para o bem-estar do ser humano. Tudo foi posto para todos. Com a formação das sociedades, sistemas e organizações humanas, alguns foram constituídos governantes das nações. As sociedades são regidas pelos poderes legitimamente constituídos a partir do consenso das leis e dos acordos entre os humanos. O homem estratificou a vida social.

Na administração daquilo que é público, ou seja, do que é do povo, sempre existiram mulheres e homens que colocaram seus próprios interesses e/ou os interesses grupais (corporativismo) acima do bem comum. Quando isto ocorre temos a corrupção do bem comum, ou seja, o bem comum é esquecido e a sociedade vira um caos. Daí decorre crises que geram conflitos e desordens. Quando o Governo e demais autoridades juridicamente constituídas perdem a credibilidade, aquilo que chamam de ordem social fica comprometida. Torna-se, então, comum o surgimento incontrolável de crises seguidas de crises cada vez mais agravantes, que prejudicam toda a população, principalmente a parcela empobrecida da sociedade.

No texto evangélico aparece um administrador desonesto, e sua desonestidade é marcada pela esperteza: “Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”, afirma Jesus. Os espertos são aqueles que possuem habilidades, manhas, astúcia. “O mundo é dos espertos”, diz um ditado popular. As pessoas espertas são dadas às vantagens em si mesmas, que se preocupam em ter vantagens em tudo, que não admitem perder nada pra ninguém. No mundo de hoje, mais do que em outras épocas, para muita gente, ser esperto é uma questão de sobrevivência. Para outros, ainda, a esperteza ajuda na corrupção. A maioria de nossos políticos é um forte exemplo de mulheres e homens espertos, que se utilizam da esperteza para mentir, manipular e roubar o que é do povo. Desviam os recursos públicos, descaradamente.

As pessoas ricas são conhecidas pelo que tem e não pelo que são. Elas fazem questão de mostrar que tem fortunas. Quem se recorda do “deputado do castelo”? O homem é tão rico que fez um castelo para si, dada a sua mania de grandeza e apego aos bens. Quem se recorda de Michael Jackson? Levou até as últimas conseqüências o apego aos bens materiais e a egolatria (adorar-se a si mesmo). E há quem diga que ele continua sendo um exemplo de vida a ser seguido! Os atores e atrizes de Hollywood são exemplos de pessoas dadas às riquezas. Chega um momento na vida em que alguns se sentem tão mal em meio a tanto luxo e riqueza que resolvem reorientar a vida na perspectiva dos pobres, como ocorreu com Angelina Jolie, que se tornou embaixatriz da ONU após adotar crianças africanas com o esposo Brad Pitt.

O Evangelho vem falar da necessidade de se usar o dinheiro a favor da promoção da dignidade humana. Não é pequeno o número de pessoas que precisariam de um pequeno investimento para sair da triste situação de miséria. O dinheiro deve ser instrumento de oportunidade para a vida das pessoas, não mero meio de satisfação desenfreada dos desejos. O homem precisa aprender a educar seus próprios desejos, a fim de que possa se tornar cada vez mais livre em relação a si mesmo e às riquezas. A satisfação exacerbada dos desejos causa escravidão e miséria no ser humano. Há pessoas muito ricas, materialmente, mas que são paupérrimas, espiritualmente. Quando falo espiritualmente, não estou falando de pertença à religião ou crença numa entidade superior, mas de paz de espírito, tranqüilidade, bem-estar mental, saúde do espírito.

Jesus fala também de fidelidade nas pequenas coisas da vida. Esta nos exige que sejamos responsáveis por algumas coisas básicas, a fim de que se possa viver bem a vida. Uma vida saudável é uma vida pautada na responsabilidade. Este é um valor que se encontra em crise na sociedade atual. Está na moda ser irresponsável! Encontramos exemplos alarmantes de irresponsabilidade em todos os campos da vida humana: na economia, na política, na saúde, na educação, na família, na cultura, na religião etc. As pessoas estão tendo cada vez mais dificuldade de serem responsáveis pelas atividades que constroem uma sociedade sadia para todos. A falta de responsabilidade trava o progresso integral e autêntico da vida humana. Pessoas irresponsáveis não são dignas de confiança, porque não tem coragem de assumir a vida e suas respectivas exigências.

Finalmente, o Evangelho vem falar de uma séria escolha: a de servir a Deus ou ao dinheiro. A conjunção ou designa alternativa ou exclusão, segundo o dicionário Aurélio. “Vós não podeis...”, afirma, categoricamente, Jesus. O dinheiro tem sido o grande problema da humanidade, por causa do mesmo cometem-se atrocidades. O dinheiro tem contribuído e muito para a desumanização do ser humano, pois leva à competição, ao apego, à desonestidade, e a tantos outros crimes. Não são poucas as pessoas brutalmente assassinadas por causa do dinheiro. No caso dos políticos mencionados nos recentes escândalos e de tantos outros ainda não descobertos, a sede (ambição) pelo dinheiro é incontrolável. O dinheiro faz perder o medo e a vergonha, pois desviam o que é do povo com a certeza da impunidade.

Assim sendo, é urgente que cada cidadão, principalmente aquele que vai exercer o direito e o dever do voto nas urnas, seja responsável com o seu voto. Votar é uma questão de compromisso com o bem comum da sociedade. Ao votar, não podemos pensar somente em nós mesmos, mas no bem do outro, principalmente no bem daqueles que mais precisam dos serviços públicos oferecidos pelo Estado. Três questões são essenciais quando se fala de eleições: 1. Que o/a candidato/a tenha história, tenha vida pregressa comprometida com o bem comum; 2. Que o/a candidato/a tenha propostas sérias (compatíveis) e que sejam apresentadas com seriedade e abertura; 3. Que o/a candidato/a demonstre, claramente, preocupação sincera com a situação dos empobrecidos e marginalizados da sociedade, apresentando propostas que visem solucionar, estruturalmente, seus respectivos problemas. Neste sentido, o voto é, também, um ato conscientemente político e cristão.


Tiago de França

Um comentário:

hellen disse...

muito bom é para se pensar mesmo!
gostei muito entre no meu blog e trocaremos opinioes!http://hellen-ellen12345.blogspot.com/